Sábado, Agosto 02, 2003
Noite Sem Fim
Na cadeira me sento
Esperando por ti,
As horas são longas,
De uma noite sem fim.
Me ponho de pé
Ando sem parar
Ranje o soalho
Gasto o meu andar.
Remexo os bolsos,
Sem saber porquê
Num avental usado
Roto e traçado
Olho as mãos,
Sem saber
Que lhes faça
Percorrem o corpo,
Tapam o rosto,
Como uma máscara.
Olho a braseira,
Que me aqueçe o corpo
meia apagada,
Com cinza espalhada.
O relógio bate horas,
Que importa!
Só espero,
Que ele abra a porta.
Aconchego o xaile,
Que tenho nos ombros,
Onde é que andará
Se calhar aos tombos
Cai-me uma lágrima,
mas...
Não é de dor,
Quando ele chegar
Tem todo o meu amor
Na cadeira me sento
Esperando por ti,
As horas são longas,
De uma noite sem fim.
Me ponho de pé
Ando sem parar
Ranje o soalho
Gasto o meu andar.
Remexo os bolsos,
Sem saber porquê
Num avental usado
Roto e traçado
Olho as mãos,
Sem saber
Que lhes faça
Percorrem o corpo,
Tapam o rosto,
Como uma máscara.
Olho a braseira,
Que me aqueçe o corpo
meia apagada,
Com cinza espalhada.
O relógio bate horas,
Que importa!
Só espero,
Que ele abra a porta.
Aconchego o xaile,
Que tenho nos ombros,
Onde é que andará
Se calhar aos tombos
Cai-me uma lágrima,
mas...
Não é de dor,
Quando ele chegar
Tem todo o meu amor
epifanio_m@hotmail.com
Segunda-feira, Julho 28, 2003
Batuque
Ouço o batuque,
Aqui, acolá.
Preto sambando,
Menina espreitando,
Chegou a Sinhá.
Preto parou,
Sinhá sorriu,
Preto dançou
E retríbuiu.
Chamou a mãe,
Também a avó
E assim continou,
O Forró.
Preto toca,
Pandeiro no ar,
Todo o crioulo
Apareçe a dançar.
Pés que mexem,
Sem parar,
Nuvem de areia,
Que anda no ar.
Preto dança,
Sem parar
Contagia com alegria
Sinhá apareçe devagar,
Depressa se põe
A dançar.
Ouço o batuque,
Aqui, acolá.
Preto sambando,
Menina espreitando,
Chegou a Sinhá.
Preto parou,
Sinhá sorriu,
Preto dançou
E retríbuiu.
Chamou a mãe,
Também a avó
E assim continou,
O Forró.
Preto toca,
Pandeiro no ar,
Todo o crioulo
Apareçe a dançar.
Pés que mexem,
Sem parar,
Nuvem de areia,
Que anda no ar.
Preto dança,
Sem parar
Contagia com alegria
Sinhá apareçe devagar,
Depressa se põe
A dançar.
Feira
A feira apregoa.
Vozes sem fim,
Agudas e graves,
Como um festim.
Poeira no ar.
Trote de cavalo.
Cheiro a comida.
Roupa remexida.
Muares à solta,
juntos com roupa.
Bêbados aos tombos,
Toda agente alheia,
Encolhendo os ombros.
Paisagem suposta,
com cheiro a bosta.
E assim vão indo,
Uns tristes outros rindo.
Feira deserta,
De porta aberta.
A feira apregoa.
Vozes sem fim,
Agudas e graves,
Como um festim.
Poeira no ar.
Trote de cavalo.
Cheiro a comida.
Roupa remexida.
Muares à solta,
juntos com roupa.
Bêbados aos tombos,
Toda agente alheia,
Encolhendo os ombros.
Paisagem suposta,
com cheiro a bosta.
E assim vão indo,
Uns tristes outros rindo.
Feira deserta,
De porta aberta.
Folha Caída
O vento passa.
Varre-me como uma folha caída.
Rolo no chão, no meio da confusão.
Sou pisada, esmagada,
Tenho alma, não sei...
Ainda vejo uma pequena luz,
No meio da escuridão
Sinto-me rasgada, desgrenhada
Tento respirar: preciso de ar.
Quero sair deste lugar.
Remexem, minhas vísceras,
Á procura, não sei de quê!
São mãos que me tocam,
Ávidas de desejo,
No meu triste olhar,
Um lampejo.
Cá dentro um forte desejo,
De ter forças para gritar;
Encho o peito de ar.
Sai um forte trovão,
Na escuridão o relampejar.
Ainda tenho coração,
E uma lágrima rola no chão.
O vento passa.
Varre-me como uma folha caída.
Rolo no chão, no meio da confusão.
Sou pisada, esmagada,
Tenho alma, não sei...
Ainda vejo uma pequena luz,
No meio da escuridão
Sinto-me rasgada, desgrenhada
Tento respirar: preciso de ar.
Quero sair deste lugar.
Remexem, minhas vísceras,
Á procura, não sei de quê!
São mãos que me tocam,
Ávidas de desejo,
No meu triste olhar,
Um lampejo.
Cá dentro um forte desejo,
De ter forças para gritar;
Encho o peito de ar.
Sai um forte trovão,
Na escuridão o relampejar.
Ainda tenho coração,
E uma lágrima rola no chão.